Navegador



Asperger : Alunos solitários
Enviado por Webmaster em 07/01/2008 10:54:19 (5767 leituras internas)



Crianças autistas freqüentam escolas públicas, convivem com outros estudantes e aprendem a ler e escrever. Isso tudo é possível desde que a percepção do problema aconteça cedo

Por
Maria Vitória
Da equipe do Correioweb

Ser autista significa viver em mundo próprio. Alguns dos sintomas comuns da doença, como isolamento, dificuldades para falar com outras pessoas e comportamentos repetitivos como balançar a cabeça ou o corpo e mexer com as mãos, demoram a ser descobertos. A doença cerebral é geralmente percebida pelos pais, médicos e professores depois dos 3 anos, quando a criança já adquiriu hábitos, tornando mais difícil a sua inclusão no convívio social e na escola.

Até agora, pouco se sabe sobre as causas e a cura da doença. Uma das poucas certezas mostra a disfunção cerebral entre os enfermos — 60% deles sofrem de um déficit de inteligência e têm dificuldade de aprendizagem. Porém, alguns autistas podem aprender a ler, a escrever e acompanhar uma escola regular, desde que os seus sintomas sejam diagnosticados o mais rápido possível e elas possam ter acompanhamento especializado.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SES/DF) possui atualmente cerca de 300 alunos autistas matriculados nas escolas públicas. ‘‘São crianças e adolescentes com vários graus de autismo, mas estão aprendendo a conviver com outras crianças’’, afirma a professora Cláudia Vanelli Silva de Oliveira, gerente do Serviço de Apoio e Aprendizagem de Deficientes Múltiplos, área da SES/DF responsável pela inclusão dos autistas nas escolas.
É o caso do garoto Daniel, 6 anos. Depois de duas tentativas frustradas de estudar em escolas particulares, começou a freqüentar uma classe especial com outros três autistas na Escola Classe da 405 Norte há três anos. Ainda não fala, apresenta surtos de isolamento, dificuldades de relacionamento e também não lê como outras crianças da sua idade. ‘‘Mas já está aprendendo a identificar letrinhas com a sua professora’’, conta Maria de Lourdes Medeiros de Castro, mãe de Daniel. A convivência na escola também diminuiu os seus surtos de isolamento, facilitando a aproximação com a irmã caçula, de 2 anos. ‘‘Ele sempre foi muito carinhoso e consegue dividir o seu espaço com ela’’, diz Lourdes.
Os alunos autistas, antes de ingressarem nas escolas públicas, passam pela avaliação de uma equipe de psicólogos e pedagogos, que irão definir o grau de comprometimento da criança e o estágio da doença. Os casos mais graves são encaminhados para um dos 13 Centros de Ensino Especial do DF. Ali, elas têm atividades para desenvolvimento de coordenação motora e atividades com fonoaudiólogos e psicólogos.
Os que conseguem pegar um lápis e traçar rabiscos e se comunicar freqüentam uma das classes especiais existentes em escolas de ensino regular do Plano Piloto, Taguatinga, Gama, Recanto das Emas e no Caic Unesco, em São Sebastião. Nestas salas, uma professora treinada para lidar com alunos especiais cuida de dois autistas. A lotação máxima é de quatro autistas por sala.


‘‘a rotina de atividades é essencial para criar um mundo real para
o autista’’

Izabel Terra
Psicóloga responsável pelo acompanhamento dos alunos autistas da Escola da 405 Norte


RESPOSTA
Segundo pesquisas pedagógicas, os alunos autistas respondem bem aos sistemas organizados. Na Escola Classe da 405 Norte existem três turmas especiais para autistas no turno da tarde. Os poucos móveis são colocados junto às paredes, dando espaço para os alunos. E há uma rotina diária. Sempre ao lado esquerdo do quadro negro (do ponto de vista do olhar do aluno), as professoras escrevem a agenda diária, que inclui desde o momento de oração até as horas de brincadeiras. ‘‘Esse procedimento cria uma rotina de atividades, essencial para criar um mundo real para o autista’’, diz a psicóloga Izabel Terra, responsável pelo acompanhamento dos alunos autistas da Escola da 405 Norte.
Os que aprendem a ler e escrever, ou apresentam bom desempenho na avaliação inicial, são matriculados nas salas de inclusão: classes de ensino regular, com as disciplinas do currículo normal, mas que recebe um aluno com deficiência mental. Neste caso, há uma redução de 20% no número de estudantes matriculados para que a professora tenha melhores condições de trabalho. O sistema foi implantado em 1999 e ‘‘até hoje não ocorreu nenhum caso de rejeição entre professores, alunos, crianças autistas e seus pais’’, garante Cláudia.
Apenas uma escola pública, a da 405 Norte, possui o sistema de salas de inclusão para alunos com autismo. Dos 28 autistas ali matriculados, quatro estão em turmas normais. O suporte psicólogo fica a cargo de Izabel Terra, que ajuda as professoras nos momentos de crise de um dos estudantes autistas. Quando isso ocorre, a criança é retirada da sala e só retorna depois de superar o surto, seja de isolamento ou de gestos repetitivos.
A professora Maria Guedes, com uma turma da 2ª série do Ensino Fundamental, trabalha pela primeira vez este ano com um autista de 9 anos em sua sala de aula. Encara a tarefa sem dificuldades, pois os demais alunos não se assustam com o colega diferente e até procuram ajudá-lo. ‘‘Aprendi a reconhecer os momentos particulares da criança. É só ter paciência. Depois ele volta a convivência normal com os outros coleguinhas’’, ensina a professora.

Versão para impressão Enviar esta notícia por e-mail
Os comentários são de propriedade de quem os enviou. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.



Login
Seções de Estudos
Integrantes on-line
13 visitantes presentes (1 na seção: Notícias)

Associados: 0
Anônimos: 13

mais...


 

Universo Autista - Telefone (12) 3021-0996 © 2013 by Luiz Urbanski  |  Versão Beta 1.0 - Desenvolvedor do portal Luiz Urbanski