| Alterações da Linguagem |
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| Enviado em Sun 04 Nov 2007 por Webmaster (5603 leituras) |
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A linguagem é um processo mental de manifestação do pensamento e de natureza essencialmente consciente, significativa e orientada para o contacto inter-pessoal. Apesar do processo da linguagem ser essencialmente consciente, entretanto entende-se que o fluxo e a articulação desta provém de camadas mais profundas e não conscientes, tais como do subconsciente e inconsciente, segundo o esquema de Willian James. No estudo da linguagem, deve-se distinguir a expressão verbal e a expressão gráfica e a psicopatologia se interessa tanto pela linguagem falada quanto pela linguagem escrita. Ambas expressões são um conjunto de sinais próprios de cada língua com os quais manifestamos nosso pensamento e tanto a expressão verbal quanto a expressão gráfica, devem constar de dois elementos fundamentais - a sintaxe e a palavra. Alterações articulares, que não são monopólio da Disartria, também podem dificultar a expressão oral dos afásicos, tanto surgindo espontaneamente como mediante a solicitação do exame. Essas alterações serão determinadas pelos testes de repetição de palavras e frases. Vistas pelo ângulo neurológico, as anomalias podem apresentar um aspecto paralítico, quando falta a articulação e há anasalamento. A falta de articulação chama-se Anartria e pode mostrar um aspecto distônico, com contrações excessivas, sincinesias ou, ainda, um aspecto apráxico. Analisadas sob um ângulo fonético, as alterações articulares se caracterizam também pela redução da formação e diferenciação dos fonemas, semelhantes às simplificações fonéticas da criança ("bibiloteca", "espetaco", fessado"...). Outros elementos de diferenciação entre Afasia e Disartria são as alterações evidenciadas no uso voluntário e automático da linguagem. As alterações articulares da Disartria estão ausentes na formas automáticas do falar, como no canto, por exemplo. A sintaxe tem por objeto estabelecer as relações entre as palavras e as frases, e corresponde à própria organização do pensamento. As representações e os conceitos devem ser expostos numa determinada ordem necessária para se formar o raciocínio lógico. Esse arranjo racional da linguagem é a sintaxe.... .Em 1924, Pavlov considerava a palavra como uma espécie de estímulo condicionado, comparável aos demais estímulos, mas com um caráter próprio. Dizia que se nossas sensações e representações do mundo externo nos dão os primeiros sinais da realidade, as palavras constituem os segundos sinais, os sinais dos sinais, representam a abstração da realidade e se prestam a generalizações, formando justamente nosso modo de pensamento humano e superior. Escutar a fala e falar são os modos mais comuns da Comunicação Humana. Uma perda auditiva obviamente causa graves problemas na comunicação Auditivo-oral. Por isso a avaliação audiológica em bebês e crianças é de fundamental importância para a prevenção e tratamento fonoaudiológico. A linguagem costuma refletir o pensamento e pode ser tida como o elo final da cadeia de processos psíquicos que se iniciam com a percepção e terminam com a palavra falada ou escrita . Costuma-se ter por certo que não existem pensamentos que não sejam formulados por palavras, ao ponto de poder se afirmar que todo pensamento corresponde a alguma determinada expressão verbal. É por isso que não se estabelecem diferenciações entre as perturbações do pensamento e as alterações da linguagem. Se existissem apenas alterações da linguagem, estas ficariam limitadas aos distúrbios da articulação da palavra e da sintaxe mas, na realidade, as perturbações da linguagem são muito mais complexas. Se a linguagem é um atributo humano dirigido à comunicação entre pessoas, começamos a considerar o conteúdo da linguagem. Sim, porque os esquizofrênicos podem expressar os maiores disparates delirantes, mantendo uma perfeita correção da sintaxe. Ainda aqui não é demais relembrar que a separação entre os diferentes processos psíquicos é feita apenas para facilitar o ensino. Analisando as alterações da linguagem falada de um ponto de vista estritamente prático, podem-se dividir essas alterações em dois grupos principais: 1) alterações da linguagem devidas a causas predominantemente orgânicas; 2) alterações da linguagem de natureza predominantemente funcionais. Alterações Predominantemente Orgânicas DISARTRIA Neste grupo, incluem-se todas as perturbações que resultam de uma lesão ao nível de qualquer das partes que intervêm na elaboração e na emissão dos sons, de cuja articulação resulta a palavra falada. As principais alterações deste grupo são as seguintes: Consiste na dificuldade de articular as palavras, normalmente resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação. A perturbação é mais acentuada quando se trata de pronunciar as consoantes labiais e linguais, as quais são omitidas ao dizer as palavras, ou a pessoa titubeia ao pronunciá-las. A alteração torna-se mais evidente quando se utilizam as frases de prova, como por exemplo, pedindo ao paciente que pronuncie "sou caricaturista, vou caricaturar-me no caricaturista", ou "artilheiro de artilharia", "ministro plenipotenciário" . Desta feita a Disartria acaba sendo sempre conseqüência de alteração neurológica e, normalmente, as pessoas portadoras de lesões suficientes para produzir Disartria acabam por mostrar outras alterações ao exame clínico. A Disartria pode ser encontrada nos traumatismos crânio-encefálicos, nas patologias tumorais do cérebro, cerebelo ou tronco encefálico, nas lesões vasculares encefálicas, na intoxicação alcoólica, na esclerose em placas, na paralisia pseudobulbar, nas paralisias periféricas do grande hipoglosso, pneumogástrico e facial. Os sintomas iniciais da Doença de Parkinson por exemplo, incluem modificação na escrita, por exemplo, assinatura diferente, perda da agilidade muscular para atos que eram até então corriqueiros, lentidão da marcha e Disartria. Também na Coréia de Sydenhan a constelação sintomática inclui movimentos anormais de grande amplitude, predominantemente nas grandes articulações, podendo afetar a mímica e outros grupos de inervação craniana, hipotonia ou atonia (bonecos de pano), labilidade emocional e Disartria. Completando o quadro de doenças neurológicas com comprometimento da linguagem, temos ainda a Doença de Huntington, onde se observa decadência mental progressiva, seguida ou acompanhada de movimentos coreiformes, alteração da mímica com formação involuntária de caretas, Disartria e disfagia progressivas. Na Doença de Huntington a fala pode se tornar ininteligível e os engasgos são freqüentes. Também as Síndromes Isquêmicas, quando afetam a região cerebelar superior e produzem conseqüente edema, podem levar a obstrução do 4o. ventrículo, determinando hidrocefalia e herniação do cerebelo para cima através do tentório e para baixo pelo Forame Magno, tendo como sintoma a ataxia da marcha, cefaléia náuseas e vômitos, atabalhoamento homolateral e Disartria. As Disartrias resultam da alteração dos mecanismos nervosos que dirigem e coordenam a atividade dos órgãos utilizados na fonação e costumam ser agrupadas em 3 tipos: As Disartrias Paralíticas, que se manifestam pela insuficiência de articulação e pelo anasalamento, enfraquecimento e desdiferenciação da voz, resultando numa palavra quase inaudível. Essas Disartrias resultam tanto de uma lesão periférica dos nervos cranianos quanto de uma perturbação bilateral do controle exercido pelo fascículo geniculado. Nas síndromes pseudobulbares de origem vascular, a lesão piramidal bilateral é a causa. Na esclerose lateral amiotrófica a alteração é, às vezes, bulbar e pseudobulbar e na miastenia também se desenvolve uma Disartria do tipo paralítico, marcada por um desenvolvimento progressivo à medida que se prolonga o esforço fonador. A Disartria Cerebelar, que está descrita sob o qualificativo de voz escandida. O elemento mais característico é a irregularidade da amplitude de emissão, de uma palavra a outra ou de um fonema a outro, dando à palavra um caráter explosivo. As atrofias cerebelares e os tumores do cerebelo são as possíveis etiologias. Na esclerose em placas, a Disartria cerebelar está freqüentemente modificada por um elemento paralítico. Assim sendo, a semiologia das doenças cerebelares resulta em sintomas como a ataxia, que é a marcha com base alargada, oscilante, a dismetria, representada pela inabilidade de controlar a amplidão do movimento, a desdiadococinesia, significando a inabilidade para realizar movimentos alternantes rápidos, a hipotonia do tono muscular, a decomposição de movimentos que se resume na inabilidade para executar uma seqüência de atos coordenados , finos, o tremor , o nistagmo, com o componente rápido máximo em direção ao lado da lesão cerebelar e a Disartria, com fraseamento inapropriado, pastoso e perda da modulação do volume e da fala. As Disartrias Extrapiramidais se revestem de diversos aspectos. A do tipo parkinsoniana se caracteriza pela aceleração da maneira de falar (taquifemia) com uma palavra fraca e freqüentemente mal articulada. A ela se reúnem os fenômenos de bloqueio no início e, algumas vezes, as repetições prolongadas de uma palavra ou de uma sílaba (palilalia). Na atetose dupla, a palavra está gravemente perturbada pela ativação sincinética dos músculos bucofaríngeos e faciais. sendo hesitante. mal articulada e repleta de explosões imprevisíveis. Dislalias Consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os. A falha na emissão das palavras pode ainda ocorrer a nível de fonemas ou de sílabas. Assim sendo, os sintomas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação os fonemas. De modo geral, a palavra do dislálico é fluida, embora possa ser até ininteligível, podendo o desenvolvimento da linguagem ser normal ou levemente retardado. Não se observam transtornos no movimento dos músculos que intervêm na articulação e emissão da palavra. Em muitos casos, a pronúncia das vogais e dos ditongos costuma ser correta, bem como a habilidade para imitar sons. Não há disfonia nem ronqueira. Diante do paciente dislálico costuma-se fazer uma pesquisa das condições físicas dos órgãos necessários à emissão das palavras, verifica-se a mobilidade destes órgãos, ou seja, do palato, lábios e língua, assim como a audição, tanto sua quantidade como sua qualidade (percepção) auditiva. As Dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra. No primeiro caso, resultam da malformações ou de alterações de inervação da língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas, tais como o lábio leporino ou como conseqüência de traumatismos dos órgãos fonadores. Por outro lado, certas Dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso central. Quando não se encontra nenhuma alteração orgânica a que possa ser atribuído a Dislalia, esta é chamada de Dislalia Funcional. Nesses casos, pensa-se em hereditariedade, imitação ou alterações emocionais e, entre essas, nas crianças é comum a Dislalia típica dos hipercinéticos ou hiperativos. Também nos deficientes mentais se observa uma Dislalia, às vezes grave ao ponto da linguagem ser acessível apenas ao grupo familiar. Até os quatro anos, os erros na linguagem são normais, mas depois dessa fase a criança pode ter problemas se continuar falando errado. A Dislalia, troca de fonemas (sons das letras), pode afetar também a escrita. Na prática o personagem Cebolinha, de Maurício, é um exemplo de criança com Dislalia. Ele troca o som da letra R pelo da letra L. Alguns fonoaudiólogos consideram que a Dislalia não seja um problema de ordem neurológica, mas de ordem funcional. Segundo eles, o som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real, omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra, transposições na ordem de apresentação dos fonemas (dizer mánica em vez de máquina, por exemplo) e, por fim, acréscimos de sons. Estas alterações mais comuns caracterizam uma Dislalia. Entretanto, do ponto de vista fisiopatológico, a Dislalia numa criança hipercinética, por exemplo, terá que ser considerada de natureza orgânica, já que tratando a hipercinesia desaparece a Disartria. Crianças com perdas auditivas leves e moderadas também costumam ter Dislalia, fazendo trocas de alguns fonema, como por exemplo, "t" por "d", "f" por "v", "p" por "b", "q" por "g". Muitas destas crianças, principalmente se estão em fase de alfabetização, apresentam também trocas na escrita. Este tipo de aluno costuma ser desatento na escola, porque tem dificuldade de ouvir a professora. A mãe costuma queixar de que a criança com perda auditiva não atende quando é chamado e/ou ouve o aparelho de som ou a televisão alto demais.. Dislexia Dislexia é um distúrbio específico da linguagem caracterizado pela dificuldade em decodificar (compreender) palavras. Segundo a definição elaborada pela Associação Brasileira de Dislexia, trata-se de uma insuficiência do processo fonoaudiológico e inclui-se freqüentemente entre os problemas de leitura e aquisição da capacidade de escrever e soletrar. Resumidamente podemos entender a Dislexia como uma alteração de leitura. Apesar da criança disléxica ter dificuldade em decodificar certas letras, não o faz devido a algum problema de déficit cognitivo. Normalmente esses pacientes apresentam um QI perfeitamente compatível com a idade. A origem da Dislexia, segundo Thereza Cristina dos Santos, está no eixo corporal, na base psicomotora, cujo desenvolvimento é anterior à escrita. Para aprender a ler, a criança precisa ter consciência de seu eixo corporal, lado direito, lado esquerdo, etc. O disléxico não tem essa noção de lateralidade e vai confundir eternamente direita e esquerda . O diagnóstico da Dislexia é muito semelhante ao do de outros distúrbios de aprendizagem. Por isto, é preciso muito cuidado para não rotular toda e qualquer alteração de leitura como Dislexia. A Dislexia tem sempre como causa primária a relação espacial alterada, fazendo com que a criança não consiga decifrar satisfatoriamente os códigos da escrita. O diagnóstico da Dislexia exige quase sempre uma equipe multidisciplinar, formada por neurologista, psicólogo, psiquiatra e psicopedagogo. Esta equipe tem a função básica de eliminar outras causas responsáveis pelas trocas de letras e outras alterações de linguagem. |
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