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Anormalidades e Distúbios Cognitivos
  Enviado em Fri 28 Nov 2008 por Webmaster (1022 leituras)
A correlação entre epilepsia/anormalidades eletrencefalográficas
(sem crises clínicas) e a cognição, o comportamento e a linguagem é pobremente compreendida.

Há síndromes epilépticas bem definidas como as encefalopatias
epilépticas (exs., espasmos infantis e síndrome de Lennox-Gastaut) nas quais esta correlação é positiva(13). Entretanto, nestas síndromes, tanto a prevalência de crises epilépticas quanto a freqüência dos paroxismos epileptiformes é elevada, sendo difícil estabelecer qual destes fatores está
implicado nas alterações cognitivas, da linguagem e do comportamento, presentes na maioria dos indivíduos.

Embora seja razoável postular que a patologia de base que leva à epilepsia e à alteração epileptiforme no EEG seja também responsável pelo distúrbio cognitivo, ainda é controverso se as crises epilépticas per se afetariam a cognição, em especial no cérebro em desenvolvimento(14).

Roulet, Deonna e Desplant(15) demonstraram que a presença de paroxismos epileptiformes sem crises clínicas, em crianças com epilepsia parcial benigna da infância, poderia levar a dispraxias da fala e da deglutição, embora estas fossem transitórias. Na epilepsia benigna da infância com paroxismos centrotemporais, tida como uma forma
idiopática de epilepsia, alguns autores têm descrito que a presença de paroxismos epileptiformes pode levar a presença de distúrbios específicos da linguagem, do comportamento e da cognição(16). Entretanto, não há, até o momento, evidências de que o tratamento dos paroxismos epileptiformes possa resultar na melhora da linguagem.
Este conceito, introduzido no final da década de 30 se traduz na alteração transitória das funções corticais superiores secundária à alteração epileptiforme, sendo posteriormente assimilado e nomeado de TCI (transient cognitiveimpairment)(12,17-20).

Binnie & Marston(21) sugeriram que paroxismos epileptiformes,
sem crises clínicas, poderiam determinar distúrbios cognitivos. Sabe-se que paroxismos epileptiformes, freqüentes e próximos ao córtex da linguagem, podem levar a distúrbios da linguagem(22).
Existem síndromes raras, como a SLK, nas quais as crises epilépticas não são importantes para o diagnóstico.

A SLK é, no entanto, considerada uma síndrome epiléptica na qual ocorre afasia adquirida (agnosia auditiva verbal) em associação com anormalidades eletrencefalográficas nas regiões parietais e temporais, predominantemente posteriores(23,24). Aproximadamente 25% dos pacientes com esta síndrome não apresentam crises epilépticas, sendo
que, pelo menos neste subgrupo de pacientes, os paroxismos
epileptiformes parecem estar relacionados às manifestações
cognitivas, predominantemente na esfera da linguagem.

Autores:
Kette Dualibi R. Valente*, Rosa Maria F. Valério**
Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP

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