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Autismo e a Educação Escolar
  Enviado em Wed 11 Jun 2008 por Webmaster (2371 leituras)
Na educação escolar não é fácil trabalhar com crianças com autismo,
principalmente porque a maioria dos educadores não se sente preparada para lidar com um aluno assim.
A educação especial para crianças autistas engloba uma metodologia
específica e, às vezes, um tratamento medicamentoso. Em crianças com acometimentos menores, o aproveitamento é bastante observável, tanto no aspecto cognitivo dos conteúdos e sua aplicação, quanto no aspecto social.

Já as crianças severamente comprometidas obtêm melhorias quanto aos cuidados pessoais e a relação social, portanto, quanto mais cedo for atendida, maior a possibilidade de integração social.
Historicamente, o processo de escolarização de crianças com transtornos mentais e/ou portadores de deficiências iniciou-se mundialmente no final do século XVII, com a fundação de instituições especializadas para educação de surdos em 1770 e de cegos em 1784, ambas na França.

No Brasil, ocorreu em 1904, o surgimento da primeira, situada dentro do Hospício Nacional de Alienados no Rio de Janeiro. A escola Pestalozzi/Canoas (1926) e Pestalozzi/Minas Gerais (1935),
que mantinham professores pagos pelo estado para atender crianças com deficiência mental e transtorno autista; A APAE-Rio de Janeiro (1952) passou a promover e a defender os direitos das pessoas com deficiência mental.

Nos anos 90, os princípios da Integração passam a ceder lugar à Educação Inclusiva, nesse caso, todos têm direito ao ensino e a escola deve aperfeiçoar-se para atender a seus alunos, independente da deficiência. Em 1996, com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases, pode-se ler um capítulo dedicado à Educação Especial:

CAPITULO V - DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
Art. 58 . Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades
especiais.
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na
escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação
especial.
§2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
serviços especializados, sempre que, em função das condições
específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes
comuns do ensino regular.
§3º A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
Art. 59 . Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
necessidades especiais:
I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização
específicos, para atender às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o
nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de
suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o
programa escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou
superior, para atendimento especializado, bem como professores do
ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas
classes comuns;
IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração
na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não
revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante
articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que
apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou
psicomotora;
V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais
suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
Art. 60 . Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão
critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
especializados e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder público.
Parágrafo único. O poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.
Em uma análise da trajetória percorrida na história da psicologia e sua
importância para a sociedade, pode-se observar que ela possibilitou inúmeras aquisições e conquistas tais como:
-O reconhecimento das deficiências e/ou transtornos como categorias
identificáveis e tratáveis;
-O reconhecimento de que os deficientes devem receber;
-Tratamento igualitário e humano;
-A certeza de que apesar das conquistas efetuadas, muito há que se lutar, entre outras.
Para trabalhar com crianças com autismo, o professor precisa saber a história do aluno e levá-la em conta, é preciso se organizar, pensando nas suas dificuldades e habilidades - já que alguns são muito inteligentes-, organização física, selecionar os métodos de ensino mais apropriados para aquilo que o aluno precisa aprender.

Segundo HERRERO 2000 in RUA 2006, o professor deve saber que o
processo educativo deve contemplar ações concretas de aprendizagem,
considerando os graves distúrbios de desenvolvimento que essas crianças apresentam.
A educação especial articula-se com a educação regular e tem o objetivo de garantir oportunidades sócio-educacionais à criança, promovendo o seu desenvolvimento e aprendizagem, ampliando, dessa forma, suas experiências, conhecimentos e participação social.

Os métodos mais utilizados são: Sensório-Motor, Apoios Visuais e o Método Teacch.
O Método Teacch é fundamentalmente baseado no apoio visual. É um sistema de comunicação gráfico visual de fotos, figuras, símbolos diferentes.
Pode ser usado como meio alternativo (quando a pessoa não fala), suplementar (a fala é ininteligível) e como recurso de comunicação e/ou estímulo de linguagem, mais conhecidos como PCS (Pictures Communication Symbols).
O PCS é composto de desenho de linhas simples, incluindo também alfabeto e números (no início), os PCS são importantes pois estão fixos no espaço e no tempo e podem representar muitos tipos de materiais impressos, concretos e fotografias; facilitam a compreensão das ordens, servem como apoio às escolhas, esclarecem informações e diminuem a dependência. Os seus símbolos pictóricos são: cartões
de comunicação, categorias (sociais, pessoas, verbos...).

Os conceitos básicos do método Teacch - conhecido também como
“método dos cartões” - são: os autistas recebem as informações com mais consistência visualmente, autistas possuem falhas na habilidade de organização e generalização; necessitam de uma rotina estruturada, com início, meio e fim.
A sua metodologia é realizada através de painéis de trabalho (fixos e móveis), agendas individuais, pochetes, ambientes sinalizados, independência e expressão.

A aplicação prática de ambos (PCS e Teacch) se dá por meio de:
treinamento no ambiente natural, pranchas; o uso das fichas não implica no abandono das outras formas de expressão, inicia-se com os símbolos mais necessários e motivacionais, de acordo com cada aluno. O treinamento dos pais também é importante. Para o treinamento da comunicação alternativa e argumentativa, passam a ter opções de comunicação, não há regressão no processo de fala em alunos verbais, só o aprimoramento do vocabulário,entre outros.

Através dos PCS, as crianças aprendem a importância da ajuda das
pessoas para se comunicarem.
O uso do conto de fadas também é interessante, pois permite uma
triangulação que facilita a abordagem: fala-se de um outro (personagem) que está fora do jogo imediato, fala-se da nossa rede de sentimentos e preconceitos, essa dinâmica é muito conhecida e explorada na educação infantil.

Um exemplo de conto é o “Joãozinho: porco-espinho meu”, apresentado por Brauner e Brauner
(1951) no livro II Bambino Mágico (O Menino Mágico), que discute a presença de personagens das histórias infantis que poderiam representar simbolicamente a criança com autismo, já que, às vezes, a criança com autismo é comparada com animais selvagens.

Segundo VIANA (2006), a educação de pessoas com autismo não tem
recebido a atenção necessária, nem mesmo a educação especial tem dado conta desse alunado, cuja sensibilidade se mistura com ares de quem não compreende a vida, provocando inúmeros sentimentos e abalando a segurança de profissionais cuja competência é evidente.

É nesse momento que surge a pergunta: se há profissionais capazes o que falta então? Informação! Esta é a palavra-chave. O novo, o desconhecido, o diferente, não abala e fragiliza somente os alunos com autismo, mas ao homem de maneira geral.

Infelizmente, há ainda poucos profissionais com vontade de trabalhar em classes especiais ou regulares com crianças autistas, sendo assim, os poucos que se realizam com esse trabalho, sonham com os investimentos na educação, com o despertar de mais profissionais, sonham ter e dar opções e, principalmente, adequar o trabalho a realidade do aluno e da sociedade, que hoje é oferecido de
forma tímida e isolada.

Para melhorar essa situação é preciso que o profissional que atua na área da educação especial, seja determinado e aumente a chama da esperança, mostre que é necessário a ajuda de todos. Pode-se comparar esse trabalho a uma semente preparada para tornar-se uma bela árvore, que necessita de carinho (investimento pessoal), água (capacitação,informação) e calor (união de esforços),
coisas fundamentais para que se possa ter e desenvolver uma prática educacional adequada e eficaz.

Para concluir que isso é possível, podemos observar dois exemplos de
alunos com autismo na rede regular de ensino (anexos I e II). Com esses casos, parece possível visualizar e discutir o modo de “fazer escola” que pressupõe uma contínua avaliação. A escola transformada em laboratório de conhecimentos, torna-se um espaço de ação contínua propício à reflexão.
Pode-se observar também o desenvolvimento da capacidade de trabalhar em grupo, cooperativamente, respeitando-se e interessando-se pelas particularidades de cada participante do processo. O grupo -classe- pode perceber que a escola não é
apenas um espaço dedicado à aprendizagem daquilo que já está estabelecido, mas que pode ir mais além.

A história de L. Z. (anexo I), é apresentada aqui por ele fazer parte da
minha vida, já que trabalhei um ano em uma escola especial, o que fez com que aumentasse meu interesse pelo estudo sobre autismo. Ele foi meu aluno e mostrou como é possível e necessário o trabalho com crianças com autismo, além se ser gratificante mesmo quando vemos pequenos resultados no início do trabalho desenvolvido. Assim quando resolvi fazer esse trabalho, falei com a mãe de L. Z., que mostrou muito interesse em me ajudar e se colocou a disposição
para o que eu precisasse, principalmente para falar de seu filho.

E em relação a Giovani (anexo II), essa história encontrada no livro Autismo e Educação: Reflexões e Propostas de Intervenção (BAPTISTA, 2002), mostra que as conquistas na evolução do aluno com autismo na rede regular de ensino, não podem ser buscadas isoladamente, mas depende da parceria entre todos.

Por Priscila de Lima Pereira Costa
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